A discussão sobre o Brasil incluir Bitcoin em suas reservas internacionais tem ganhado força, especialmente no cenário político. A ideia, no entanto, enfrenta a rejeição do governo e do Banco Central (BC), que destacam os riscos e a alta volatilidade da criptomoeda.

A Proposta da “RESBit”

A principal iniciativa em andamento é o Projeto de Lei 4501/2023, que propõe a criação da Reserva Estratégica Soberana de Bitcoin (RESBit). O projeto sugere que até 5% das reservas internacionais do país poderiam ser alocadas gradualmente em Bitcoin. A gestão da RESBit ficaria a cargo do Banco Central e do Ministério da Fazenda, com o objetivo de modernizar a gestão financeira do Brasil e proteger as reservas contra riscos cambiais e geopolíticos.

Os defensores da proposta argumentam que a adoção de Bitcoin nas reservas poderia diversificar os ativos do Tesouro Nacional e impulsionar a inovação tecnológica no país. A medida também seria vista como uma forma de o Brasil se posicionar na vanguarda da economia digital, seguindo o exemplo de nações como El Salvador e, mais recentemente, os Estados Unidos, que também têm discutido a inclusão de criptomoedas em suas reservas.

A Posição do Governo e do Banco Central.

Apesar do entusiasmo de parte do Legislativo, o governo federal e o Banco Central se mantêm céticos. Em audiências na Câmara dos Deputados, representantes do BC e do Ministério da Fazenda reforçaram que não há intenção de adquirir Bitcoin para as reservas internacionais.A principal preocupação é a extrema volatilidade do Bitcoin. As reservas internacionais de um país são um fundo de segurança para garantir a estabilidade macroeconômica, e por isso, devem ser compostas por ativos sólidos e de baixa volatilidade, como o dólar e o ouro. O Bitcoin, por outro lado, já mostrou em momentos de estresse global que pode se comportar como um ativo de risco, desvalorizando-se junto com outros mercados.

Outro ponto levantado é a baixa liquidez do Bitcoin em comparação com moedas tradicionais, o que dificultaria seu uso em intervenções cambiais necessárias para manter a estabilidade da economia.

Em resumo, enquanto a proposta de uma reserva de Bitcoin no Brasil avança no Congresso, ela continua a ser vista como um movimento de alto risco e “maluquice” por especialistas e pelas autoridades financeiras do país. A discussão, no entanto, mostra a crescente relevância do Bitcoin e de outras criptomoedas no cenário econômico global.