Em uma retrospectiva histórica no Museu de Arte de Goiânia, o artista mineiro radicado em Goiás celebra 42 anos de carreira, unindo a ancestralidade das cavernas à efervescência do grafite contemporâneo.

O que define o tempo para um artista? Para Nonatto Coelho, o tempo não é uma linha reta, mas um ciclo de conquistas antropológicas. A partir de terça-feira (27/01), o público goianiense terá a oportunidade de mergulhar nesse “multiverso” particular na exposição “Nonatto Coelho: 4 Décadas de Arte”. A mostra, que ocupa o MAG (Museu de Arte de Goiânia), reúne cerca de 70 telas, dois objetos e uma instalação, costurando uma narrativa visual que começou em 1983 e estende-se até produções inéditas de 2025.

Da Grécia ao Coração do Brasil

Aos 62 anos, Nonatto mantém o vigor de quem acabou de descobrir o pincel, embora sua história diga o contrário. Natural de Montalvânia (MG), ele fincou raízes em solo goiano e rompeu fronteiras cedo. Em 1982, aos 19 anos, já estreava no prestigiado V Salão Nacional de Arte Moderna no MAM, no Rio de Janeiro.

A trajetória internacional do artista é um dos pilares de sua maturidade criativa. Nonatto viveu por 11 anos na Grécia, experiência que moldou sua percepção sobre a responsabilidade social da arte. “Na Grécia, aprendi que o tempo é contado de dez em dez anos. A cada década, temos uma conquista que nos reveste de responsabilidades pessoais e sociais”, reflete o pintor.

O Pioneiro do Spray

Muito antes do grafite ser amplamente aceito pelas instituições de arte em Goiás, Nonatto já “carimbava” muros com o grupo Pincel Atômico. Sua expressão urbana não conheceu limites geográficos: dos muros de Inhumas e Goiânia às ilhas de Rhodes, na Grécia, e aos viadutos do deserto de Negev, em Israel, o artista sempre buscou o diálogo direto com a sociedade.

Para ele, a arte é cíclica e se adapta ao “seio da sociedade”, mas a essência permanece a mesma. “O ritmo hoje é mais contido, não trabalho mais as 12 horas diárias de antigamente, mas a emoção é rigorosamente a mesma”, confessa.

Uma Curadoria de Ancestralidade

Sob o olhar atento de Sanatan, precursor do Naturalismo em Goiás e curador da mostra, a exposição não é apenas uma exibição de técnica, mas um questionamento sobre o papel da arte desde os tempos imemoriais. O projeto, viabilizado pela Lei Aldir Blanc, convida o espectador a entender a pintura como um parentesco da religião e da ciência.

Ao olhar para trás, o conselho de Nonatto para o “eu” do passado e para os novos artistas é simples, mas profundo: “Nascemos para sermos bons e nos tornarmos melhores a cada dia. Não tenham medo de sonhar”.

Programe-se:

  • Exposição: Nonatto Coelho – 4 Décadas de Arte Abertura: 27 de janeiro, às 19h
  • Local: MAG – Museu de Arte de Goiânia (Setor Oeste)
  • Visitação: Até 1º de março
  • Entrada: Franca
  • Informações: @nonatto_coelho_