Com a chegada do inverno e das férias escolares, doações costumam registrar queda em todo o país; em entrevista, a Diretora de Captação, Daynara Vilar, detalha as estratégias da rede de saúde para descentralizar a coleta e salvar vidas.

O mês de junho traz consigo uma preocupação histórica para os profissionais de saúde de todo o país: a manutenção dos estoques de bolsas de sangue. Fatores como a queda das temperaturas, o aumento de doenças respiratórias crônicas e as viagens de meio de ano reduzem significativamente o fluxo de voluntários nos hemocentros. Para reverter esse cenário, a campanha nacional Junho Vermelho busca conscientizar a população sobre o impacto de um gesto simples, mas insubstituível.

Em Goiás, a mobilização ganha contornos estratégicos por meio da Rede Hemo. Com nove unidades fixas distribuídas pelo estado e um serviço robusto de unidades móveis, a instituição atua para descentralizar o atendimento e facilitar o acesso à doação, garantindo que o suporte hematológico chegue com agilidade aos hospitais da capital e do interior.

Para detalhar as dinâmicas operacionais desse período crítico, os critérios para a captação e como empresas e cidadãos podem se tornar parceiros ativos da causa, conversamos com Daynara Vilar, Diretora de Captação e Atendimento ao Doador da Rede Hemo.

Durante a conversa, a diretora explicou os motivos de junho ser o mês escolhido para essa grande mobilização nacional, destacando o impacto histórico do inverno e das férias escolares nos estoques. Ela também detalhou a famosa máxima de que uma única doação pode salvar até quatro vidas, demonstrando na prática como o sangue é fracionado em diferentes componentes para atender múltiplos pacientes.

Confira os principais trechos dessa entrevista exclusiva:

Sabemos que o sangue não tem substituto sintético e que a doação precisa ser um hábito constante. Qual é o maior desafio hoje: fazer as pessoas doarem pela primeira vez ou fidelizar quem já doou para que retorne mais vezes?

Daynara Vilar: Os dois desafios são importantes, mas a fidelização é fundamental para a sustentabilidade dos éstoques. É sempre necessário conquistar novos doadores, porém o ideal é que essas pessoas transformem a doação em um hábito.

Os doadores regulares costumam apresentar maior comprometimento com os intervalos recomendados e ajudam a manter o abastecimento de forma mais previsível. Quando conseguimos fidelizar um doador, ganhamos um aliado permanente na missão de salvar vidas.

Além das ações na sede do Hemocentro Coordenador em Goiânia, como funciona a estratégia para alcançar o interior do estado? Quantas unidades participam da campanha Junho Vermelho e como as unidades móveis ajudam a descentralizar essa coleta?

Daynara Vilar: A campanha envolve toda a Rede Hemo, que conta com nove unidades distribuídas por todo o estado. São elas: Goiânia, Jataí, Catalão, Rio Verde, Ceres, Iporá, Formosa, Quirinópolis e Porangatu. O objetivo é facilitar o acesso da população à doação de sangue, independentemente da cidade onde reside. Além das unidades fixas, contamos com as unidades móveis de coleta, que levam o serviço até municípios, empresas, universidades e instituições parceiras. Essa estratégia é fundamental para ampliar o alcance da campanha, aproximar o doador do serviço e fortalecer os estoques em todo o estado.

O que as instituições e empresas precisam fazer, na prática, para furar a bolha de doadores tradicionais e fechar parcerias com o Hemocentro? E aproveitando: quais são os pré-requisitos para que elas possam solicitar e receber o ônibus de coleta móvel?

Daynara Vilar: As parcerias são essenciais para ampliar a cultura da doação de sangue. Empresas, órgãos públicos, universidades, igrejas e entidades da sociedade civil podem entrar em contato com o Hemocentro para organizar campanhas internas de sensibilização e mobilização. Para receber uma unidade móvel, é necessário atender alguns critérios técnicos e operacionais, como disponibilidade de espaço adequado para estacionamento, condições de segurança e uma estimativa mínima de candidatos à doação que justifique o deslocamento da equipe. Cada solicitação é analisada individualmente para garantir a viabilidade da ação.

Quais são os pré-requisitos básicos de peso, idade e documentos para quem deseja ir a uma unidade da Rede Hemo hoje? E para quem tomou vacinas recentemente, como a da gripe ou da febre amarela, existe algum tempo de espera necessário?

Daynara Vilar: De forma geral, para doar sangue é necessário estar em boas condições de saúde, ter entre 16 e 69 anos, sendo que menores de idade precisam de autorização dos responsáveis, pesar no mínimo 50 quilos e apresentar um documento oficial com foto. Também é importante estar alimentado e descansado.

Em relação às vacinas, os critérios podem variar conforme o imunizante. A vacina contra a gripe, por exemplo, normalmente exige um intervalo curto antes da doação. Já vacinas de vírus atenuados, como a da febre amarela, demandam um período maior de espera. Por isso, orientamos sempre que o candidato consulte previamente a equipe da Rede Hemo para receber informações atualizadas e individualizadas.

Qual mensagem final você deixa para o povo goiano que está nos acompanhando e quer fazer a diferença neste Junho Vermelho?

Daynara Vilar: A doação de sangue é um gesto simples, seguro e capaz de transformar vidas. Todos os dias, pacientes em tratamento de câncer, vítimas de acidentes, pessoas submetidas a cirurgias complexas e portadores de doenças hematológicas dependem da solidariedade de quem doa. Neste Junho Vermelho, faço um convite especial aos goianos: reserve alguns minutos do seu dia e procure uma unidade da Rede Hemo. O sangue não pode ser fabricado e somente a doação voluntária garante que ele esteja disponível quando alguém precisar. Doar sangue é um ato de cidadania, amor ao próximo e compromisso com a vida.

Serviço: Onde doar em Goiás

Candidatos à doação podem agendar seu horário pelo site oficial da Rede Hemo ou comparecer diretamente a uma das nove unidades listadas pela Diretora (Goiânia, Jataí, Catalão, Rio Verde, Ceres, Iporá, Formosa, Quirinópolis e Porangatu). No dia da doação, lembre-se de estar bem alimentado, hidratado e portando um documento de identidade original com foto.


AGENDA CULTURAL


Anúncios

Descubra mais sobre Revista Bora

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continue reading