Você não precisa estar acompanhada de um advogado para pedir. Pode ser solicitada em qualquer delegacia (preferencialmente na Delegacia da Mulher) ou diretamente no Ministério Público. O juiz tem até 48 horas para decidir sobre o pedido após o registro.

A Medida Protetiva de Urgência (MPU) é uma das ferramentas mais eficazes criadas pela Lei Maria da Penha. Ela funciona como um “escudo legal” imediato para afastar o agressor e garantir a integridade física e psicológica da vítima.

A maior virtude desse mecanismo é a desburocratização: a lei prioriza a velocidade para salvar vidas, entendendo que a burocracia não pode ser um obstáculo quando uma mulher está correndo risco.

Entendendo a Solicitação da Medida Protetiva

O processo de pedido e concessão da Medida Protetiva foi desenhado para ser rápido e acessível:

  • Independência jurídica: A mulher não precisa contratar um advogado nem aguardar a abertura de um processo judicial longo para estar protegida. Ela mesma pode fazer a solicitação.
  • Onde pedir: O caminho mais comum é ir a uma Delegacia de Polícia (de preferência a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher – DEAM). No entanto, o pedido também pode ser feito diretamente no Ministério Público, na Defensoria Pública ou, em vários estados, de forma online pelo portal da Polícia Civil.
  • Prazo de 48 horas: Assim que a polícia registra o pedido, o termo é enviado imediatamente ao juiz do Juizado de Violência Doméstica. Por lei, o magistrado tem até 48 horas para analisar e decidir se concede ou não as medidas.
  • Tipos de ordens: O juiz pode determinar o afastamento imediato do agressor do lar, proibição de aproximação e contato com a vítima e seus familiares (por qualquer meio, inclusive redes sociais e WhatsApp), suspensão do porte de armas do agressor e até a fixação de alimentos provisionais (pensão temporária).
  • Descumprimento é crime: Se o agressor violar qualquer uma das ordens judiciais (como mandar uma mensagem ou ir até a porta do trabalho da vítima), ele comete o crime do Art. 24-A da Lei Maria da Penha, o que gera prisão preventiva imediata, sem direito a fiança pela autoridade policial.

🏛️ O Caso Emblemático: A tentativa de feminicídio contra a empresária Elaine Caparroz

Um dos casos de maior repercussão na imprensa brasileira que escancarou a importância vital das Medidas Protetivas e a discussão sobre a agilidade do sistema judiciário foi o ataque brutal sofrido pela empresária Elaine Caparroz, no Rio de Janeiro, em fevereiro de 2019.

O Caso e a Repercussão

Elaine aceitou receber em seu apartamento, para um primeiro encontro, o estudante de direito Vinícius Batista Serra, com quem conversava há meses pelas redes sociais. Durante a madrugada, Vinícius iniciou uma sessão de espancamento que durou cerca de quatro horas. Vizinhos ouviram os gritos de socorro, e os porteiros do prédio conseguiram intervir e prender o agressor em flagrante antes que o pior acontecesse. Elaine ficou gravemente ferida, com diversas fraturas no rosto, e passou dias na UTI.

O caso tomou os telejornais do país e chocou a opinião pública pela extrema violência e pela premeditação do agressor.

Por que esse caso se tornou emblemático para as Medidas Protetivas?

O caso de Elaine Caparroz tornou-se um símbolo por duas frentes fundamentais:

  1. A concessão no leito do hospital: Devido à gravidade das lesões, Elaine não tinha condições físicas de ir a uma delegacia assinar papéis. Diante disso, a rede de proteção atuou de forma urgente: a Medida Protetiva foi solicitada e expedida pelo Plantão Judiciário enquanto ela ainda estava internada na UTI, proibindo o agressor (caso conseguisse liberdade) ou seus familiares de se aproximarem dela ou de seu filho.
  2. A evolução legislativa pós-caso: A repercussão desse e de outros ataques violentos impulsionou o Congresso a aprovar, pouco tempo depois, alterações na Lei Maria da Penha para tornar o descumprimento de medidas protetivas ainda mais rigoroso e facilitar a concessão automática de proteção assim que a denúncia é registrada, sem que a vítima precise passar por avaliações burocráticas excessivas.

O episódio de Elaine mostrou ao Brasil que a Medida Protetiva não é apenas um pedaço de papel, mas um comando judicial que ativa um monitoramento de segurança sobre a vítima e dá à polícia o poder de prender o agressor ao menor sinal de reaproximação.

Como proceder para solicitar a proteção?

Para garantir que o pedido seja aceito de forma rápida e assertiva:

  1. Relate tudo detalhadamente: Ao registrar o Boletim de Ocorrência, conte todo o histórico de agressões ou ameaças, mesmo as antigas. O juiz avalia o “risco iminente”.
  2. Forneça dados do agressor: Entregue o endereço residencial, local de trabalho e horários do agressor para que a Justiça consiga notificá-lo (intimá-lo) imediatamente.
  3. Baixe aplicativos de segurança: Muitas cidades e estados possuem aplicativos oficiais (como o “S.O.S Mulher” ou o “Botão do Pânico”). Uma vez que o juiz concede a medida protetiva, a mulher ganha acesso a essa ferramenta no celular. Se o agressor descumprir a distância, basta um clique para acionar a viatura da polícia via GPS de forma prioritária.

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