Por Jheneffer Duarte

Todos os anos, o período de entrega da Declaração do Imposto de Renda provoca dúvidas, insegurança e, muitas vezes, correria de última hora entre os contribuintes brasileiros. Em 2026, no entanto, esse cenário ganhou novos elementos que exigem ainda mais atenção da população. Com mudanças específicas no formulário da Receita Federal e uma fiscalização cada vez mais digital e automatizada, o risco de erros e inconsistências se tornou maior.

A Receita Federal informou que recebeu mais de 4 milhões de declarações apenas na primeira semana de entrega, número que representa cerca de 10% do total esperado para este ano. O prazo para envio da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) 2026 segue aberto até o dia 29 de maio, e quem deixar para os últimos dias pode enfrentar dificuldades para reunir documentos e revisar informações com cuidado.

Entre as principais novidades deste ciclo está o detalhamento obrigatório dos rendimentos obtidos com apostas esportivas e jogos on-line, as chamadas bets, que agora possuem campo específico na declaração. A mudança reforça uma tendência clara da Receita: ampliar o monitoramento sobre movimentações financeiras digitais e reduzir espaços para omissões.

Outro ponto que tem gerado confusão é a discussão sobre a ampliação da faixa de isenção para quem recebe até R$ 5 mil mensais. Muitos contribuintes acreditam que essa regra já vale para a declaração atual, mas é importante esclarecer que o IRPF 2026 se refere ao ano-calendário de 2025. Ou seja, as regras ainda seguem os parâmetros anteriores, e a mudança anunciada só deverá produzir efeitos na declaração de 2027. Esse tipo de interpretação equivocada pode levar contribuintes à malha fina por omissão da obrigação de declarar.

Além das novidades, alguns desafios continuam recorrentes. A falta de organização documental ainda é uma das principais causas de erros. Recibos médicos, informes bancários, comprovantes de despesas com educação, investimentos e extratos financeiros precisam estar devidamente separados e conferidos antes do envio.

No caso das criptomoedas, por exemplo, as regras permanecem rigorosas. Operações de venda acima de R$ 35 mil mensais com lucro exigem recolhimento de imposto. Mesmo nos casos de isenção, os ativos precisam ser informados corretamente na declaração. A Receita Federal vem aprimorando o cruzamento de dados envolvendo corretoras, movimentações financeiras e patrimônio digital, o que torna ainda mais importante agir com transparência e atenção.

Uma novidade positiva deste ano é a restituição automática para contribuintes que estavam desobrigados da declaração em 2025, mas possuem valores a receber. A medida busca reduzir burocracias e facilitar o acesso ao crédito tributário, especialmente para cidadãos com menor familiaridade com os processos fiscais.

Reforçando este compromisso, o Núcleo de Apoio Contábil e Fiscal (NAF) da Estácio Goiás realiza atendimentos gratuitos para contribuintes com renda anual de até R$ 60 mil. Além da declaração do IRPF, o serviço também auxilia Microempreendedores Individuais (MEIs) na emissão de guias e na declaração de faturamento. A iniciativa também permite que estudantes tenham contato direto com situações reais da profissão, sempre acompanhados por professores. Ao mesmo tempo, a população recebe orientação gratuita até a data limite sobre a declaração e até o dia 12 de junho sobre outros serviços.

Jheneffer Duarte é mestre em Contabilidade Financeira, graduada em Ciências Contábeis, atualmente,
coordenadora dos cursos de Administração, Ciências Contábeis e Gestão de RH da Estácio Goiás


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