Evento reúne artistas de Goiás e de outros estados, além de atração internacional, em programação gratuita que começa hoje, 4, e segue até segunda-feira, 7 de setembro

O circo negro brasileiro ocupa o Orum Aiyê Quilombo Cultural, em Goiânia, de hoje, dia 4, até segunda-feira, 7 de setembro, durante a terceira edição do Festival de Palhaçaria Preta. Com o tema “Kizomba”, o evento promove quatro dias de programação gratuita, reunindo espetáculos, números circenses, oficinas, exposição de artes visuais, shows e rodas de conversa. Artistas de Goiás, São Paulo e Minas Gerais estão entre os convidados, além do venezuelano Antonio Mendoza. A iniciativa tem apoio do Fundo de Arte e Cultura do Estado de Goiás.
Realizado desde 2023, o festival nasceu com a proposta de ampliar a visibilidade e o protagonismo de artistas negros no universo circense. Nesta edição, a palavra “Kizomba”, associada à celebração, união e resistência coletiva, traduz a ideia de transformar o encontro em um espaço de aquilombamento e valorização da produção artística afro-diaspórica.
Quatro espetáculos integram a programação principal: “Sob(re) a pele”, de Matheus Alcantara (GO); “Quizumba”, de Loi Lima (SP); “Oras Bolas!!!”, com Antonio Mendoza (Venezuela); e “Chica da Silva YALODÊ”, de Eliziane Monteiro (MG).
O público também poderá acompanhar uma noite de Variété, com diferentes modalidades do circo. Cauê Marques (GO) apresenta número de faixa; Luciene Machado (GO), performances de lira e tecido; Marcelo Venâncio (SP), malabares e monociclo; e Maré Oliveira (SP), número de tecido. A curadoria dos espetáculos e apresentações circenses é assinada por Marcelo Marques e Saracura do Brejo. A condução da cerimônia fica a cargo de Saracura e do palhaço Mocotó.
Arte negra dentro e fora do picadeiro
As artes visuais também fazem parte da programação com a exposição “Kizomba – O Riso se Faz Quilombo”. Sob curadoria de Raquel Rocha, a mostra apresenta trabalhos de Bulacha (GO) e Heluander Patrocínio (MG) e estabelece um diálogo entre diferentes linguagens artísticas, ancestralidade, identidade e representação.
A proposta acompanha um dos princípios que norteiam o festival: colocar artistas negros no centro das narrativas sobre sua própria produção e trajetória. Para os organizadores, a palhaçaria preta pode ser também uma linguagem de contestação, capaz de utilizar o riso para questionar estruturas racistas e construir outros imaginários.
Idealizador e produtor do evento, Marcelo Marques destaca que a continuidade do festival representa também uma reivindicação do lugar ocupado pela cultura afro-diaspórica na formação artística brasileira.
“A programação é uma afirmação incontestável: não existe arte brasileira sem a pujança e o protagonismo absoluto da cultura afro-diaspórica”, afirma.
Legado de Mestre Jamelão
A edição de 2026 presta ainda uma homenagem a Mestre Jamelão (1947–2025), artista conhecido como “Diamante Negro” e considerado uma importante referência do circo brasileiro.
Ao longo de sua trajetória, Jamelão atuou como pirofagista, palhaço, faquir e acrobata, além de se tornar um dos mestres da Escola Nacional de Circo. Seu trabalho como formador contribuiu para a trajetória de diferentes gerações de profissionais e para a abertura de caminhos no universo circense.
A homenagem aproxima esse legado da proposta do Kizomba de reconhecer a contribuição histórica de artistas negros e, ao mesmo tempo, fortalecer novas gerações que encontram no circo um espaço de criação e pertencimento.
Festival terá Libras e ações ambientais
A acessibilidade também integra a organização do evento. Os espetáculos terão tradução simultânea em Libras e serão realizados em espaços com estrutura física acessível.
Na área ambiental, haverá destinação adequada dos resíduos em parceria com cooperativas de reciclagem. Uma oficina de arte reciclável completa a programação, utilizando materiais descartados como ponto de partida para novas criações e para a discussão sobre sustentabilidade e economia circular.
Serviço
Kizomba – 3º Festival de Palhaçaria Preta
Quando: 4 a 7 de setembro (sexta a segunda-feira)
Onde: Orum Aiyê Quilombo Cultural – Rua NSM 10, Quadra L, Lote 10, Residencial Nossa Morada, Goiânia
Entrada: gratuita
Classificação: livre
Programação: espetáculos circenses, noite de Variété, exposição “Kizomba – O Riso se Faz Quilombo”, oficinas de palhaçaria, acrobacias aéreas, malabares e arte reciclável, shows e rodas de conversa.
Mais informações, datas e horários de espetáculos e oficinas: https://www.instagram.com/orumaiyequilombocultural/


