Com atuação de Hélio Fróes e direção de Fernanda Pimenta, monólogo aborda memórias, heranças afetivas e conflitos familiares. Programação acontece nos dias 10 e 11 de outubro, no Pontão de Cultura Tríade

Um objeto antigo, aparentemente comum, pode guardar histórias capazes de transformar a maneira como enxergamos nossas origens. É a partir dessa ideia que o espetáculo “Cobre do meu pai” constrói uma narrativa sobre memória, identidade e relações familiares. A montagem chega a Luziânia neste fim de semana, com apresentações gratuitas no Pontão de Cultura Tríade, no sábado, 10 de outubro, às 19h30, e no domingo, 11, às 17h. O público também poderá participar da oficina “Introdução ao Teatro”, ministrada pelo ator Hélio Fróes, no domingo, das 9h30 às 11h30. A circulação conta com patrocínio do Supermercado Leve, por meio do Programa Goyazes, do Governo de Goiás e da Secretaria de Estado da Cultura. A realização é da Bambolina Produções, com produção executiva da Dias e Melo Assessoria Cultural, de Wellington Dias e Reginaldo Melo.

Interpretado por Hélio Fróes, sob direção de Fernanda Pimenta, o monólogo desembarca na cidade após conquistar três premiações no Festival Hidro Encena: Melhor Ator, para Fróes; Melhor Direção, para Pimenta; e Melhor Cenário, para Rô Cerqueira. Os reconhecimentos destacam diferentes aspectos de uma montagem que aposta na economia de recursos cênicos para explorar sentimentos e questões presentes nas relações entre pais e filhos.

Entre o que se herda e o que se deseja esquecer

No centro da dramaturgia está um tacho de cobre de cem litros, recebido como herança pelo protagonista. A decisão de se desfazer do objeto desencadeia uma sucessão de lembranças e questionamentos que o conduzem a revisitar sua relação com o pai.

Inspirada em uma história real, a obra transita entre acontecimentos vividos, ficção e imaginação, construindo um universo no qual passado e presente se encontram. Ao longo da narrativa, temas como patriarcado, masculinidades, pertencimento e identidade surgem a partir das experiências de um filho que procura compreender não apenas a figura paterna, mas também as marcas deixadas por essa convivência.

O espetáculo propõe uma reflexão sobre as heranças que não podem ser medidas pelo valor material. São sentimentos, comportamentos, silêncios e memórias transmitidos entre gerações, muitas vezes sem que seus significados sejam plenamente compreendidos.

A encenação de Fernanda Pimenta valoriza a presença do intérprete e a potência simbólica dos elementos que ocupam o palco. Hélio Fróes divide a cena com um grande tacho de cobre e um tapete circular de couro. Sem trilha sonora, a montagem utiliza o corpo, a voz e as pausas como instrumentos fundamentais para a construção dramática.

Assinado por Rô Cerqueira, o cenário transforma o utensílio herdado em um elemento que ultrapassa sua função cotidiana. O tacho representa tanto a permanência das lembranças quanto os ciclos familiares que se repetem, sugerindo que reconhecer o passado também pode abrir caminhos para novas formas de viver o presente.

Oficina aproxima moradores da linguagem teatral

A programação em Luziânia não se limita às apresentações. No domingo, 11 de outubro, das 9h30 às 11h30, Hélio Fróes conduz a oficina gratuita “Introdução ao Teatro”, também no Pontão de Cultura Tríade.

Voltada à experimentação e ao contato com as artes cênicas, a atividade trabalha princípios básicos de interpretação, expressão corporal e vocal. A proposta é oferecer aos participantes uma oportunidade de conhecer ferramentas utilizadas na criação teatral e vivenciar experiências que estimulem a comunicação e a criatividade.

Para Fróes, promover atividades formativas durante a circulação é uma maneira de ampliar o diálogo entre artistas e comunidades. “Mais do que levar um espetáculo pronto para diferentes municípios, o projeto busca criar espaços de encontro e troca com as comunidades, aproximando novos públicos dos processos que envolvem o fazer teatral”, explica.

A iniciativa integra um projeto de circulação por cidades goianas, que busca fortalecer a presença do teatro contemporâneo em diferentes regiões do estado. Ao ocupar espaços culturais fora dos circuitos tradicionais, o trabalho contribui para democratizar o acesso às produções artísticas e estimular a formação de novos públicos.

O retorno de Hélio Fróes aos palcos

Com trajetória consolidada como diretor, dramaturgo, roteirista, ator e professor, Hélio Fróes é um dos criadores da Cia. de Teatro Nu Escuro, fundada em 1996 e reconhecida por sua atuação na cena cultural do Centro-Oeste.

A estreia de “Cobre do meu pai”, em 2024, marcou seu retorno à atuação depois de mais de uma década dedicado a outras atividades artísticas. O monólogo reúne aspectos de sua experiência pessoal e de sua pesquisa teatral, resultando em uma criação que aproxima a intimidade das relações familiares de questões sociais mais amplas.

Em Luziânia, a obra oferece ao público a oportunidade de acompanhar uma narrativa que encontra no cotidiano sua matéria-prima e transforma um objeto herdado em metáfora para aquilo que permanece em nós, mesmo quando acreditamos ter deixado o passado para trás.


Serviço

Espetáculo “Cobre do meu pai” – Luziânia

Datas: 10 e 11 de outubro de 2026

Horários: Sábado, às 19h30, e domingo, às 17h

Local: Pontão de Cultura Tríade – Avenida Miguel Reale, Quadra 13, Lote PED 1, Luziânia (GO)

Entrada: Gratuita

Oficina “Introdução ao Teatro”

Data: Domingo, 11 de outubro

Horário: Das 9h30 às 11h30

Ministrante: Hélio Fróes

Local: Pontão de Cultura Tríade

Participação: Gratuita

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